terça-feira, 29 de setembro de 2009

SILÊNCIOS

Foto: Nuno Cachoto












Quero silenciar as palavras mudas que tinha para falar.
Quero sentir o bater das asas do pássaro que passa longe.
Quero abraçar o vento e a cor da bruma sobre o montado,
e beijar de luz as mágoas retalhadas de uma vida.
Continuo o caminho enquanto posso…
Mas não profiro mais as palavras que ousaste ouvir.
Venho por entre o canavial cerrado,
onde o sol ainda tenta penetrar a custo,
mas sinto sempre o som rouco das tuas asas imobilizadas.
Se ainda quiseres voar sobre o silêncio...
Então voa…. E arranca da terra a força de que necessitas,
para ultrapassar a barreira do silêncio...
onde nenhuma palavra consegue penetrar.
Se silenciares… e escutares o bater do vento no canavial,
vais perceber que o mundo é verde…
E a vida passou a ter outros sentidos.
Enquanto eu…
Continuo no silêncio das palavras, que nunca ousarás escutar.
Enquanto…
tu
arrancas
a
cor
verde
do canavial
e
permaneces imóvel no silêncio.




Eternum

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