Era assim a casa dos nossos sonhos.. onde se rasgavam as estórias da nossa juventude... para lá destas vidraças encontrávamos o mundo da fantasia .. onde nós os cinco cortávamos o mato com as correrias matinais e esburacávamos os montes suaves cobertos de vegetação para encontrarmos sempre mais tesouros escondidos por debaixo das rochas milenárias que abundavam na quinta. Eram dias de luta... para cada dia sermos mais e mais felizes.. mais preenchidos com aventuras quentes e cobertas de fantasia.
Pela manhã.. nas férias... relembro os dias frios de Natal em que acordávamos com as lareiras acesas que aqueciam o ambiente, num acordar morno que contrastava com o ambiente glaciar que se respirava lá fora... O cheiro a pão quente e leite acabado de ordenhar fazia-nos saltar da cama.. numa correria imensa até alcançarmos o corrimão das escadas que nos levava até ao piso intermédio... aromas inconfundíveis misturados com as pestanas coladas e enormes espreguiçadelas rasgadas nos pijamas quentes de flanela... Sentávamo-nos sempre num despique.. para ver quem era o primeiro a arrumar os quartos para depois podermos ter o dia por conta... só a sineta da porta principal nos avisaria a hora do almoço... depois perdíamo-nos nas brincadeiras quase até ao entardecer.
Muitas vezes corríamos para casa da bivó Zezinha à hora do lanche, que morava alí ao lado, numa casa que mais parecia uma casinha de bonecas.. onde tudo fazia sentido existir.. onde cada peça era uma emoção e cada toque.. cada palavra... nos enchia de prazer e alegria... o amor da bivó que todos adorávamos espalhava-se pelo espaço da casa e entrava nos nossos corações como pétalas de flores coroadas de cetim... éramos mais de trinta bisnetos... e nunca se esquecia do aniversário de cada um de nós... nesses dias saía da cozinha um aroma único e muito especial do bolo podre, feito com pão, mel e canela... e que nunca mais ninguém conseguiu fazer de igual modo.. Faltava o seu toque mágico onde o amor que brotava daquele coração imenso escorregava por entre as suas mãos onde a ternura moldava a massa e as especiarias de forma única.
Hoje recordei estes momentos... e
tantas vezes ainda me sinto por lá...
Hoje recordei estes momentos... e
tantas vezes ainda me sinto por lá...
Para todos os amigos e os que guardo no meu coração... para todo o planeta que está em sofrimento... para as crianças que nunca puderam ter dias de felicidade e de alegria... para os idosos ...e todas as pessoas que sofrem... o meu carinho e votos de um futuro com
ABRAÇO ETERNUM


LINDO!
ResponderEliminarA minha mãe fazia um bolo desses :-)
Não tenho a receita!
Mas tenho tantas Saudades.....
Obrigada pela partilha de momentos tão Lindos!
Mundo Interior... Se por acaso conseguir a receita depois envio-te.
ResponderEliminarBeijos querida... Volta sempre
Maria
Bom amiga, o que eu gostava mesmo era da receita, para conseguir em tão pouco dizer assim tanto.....
ResponderEliminarViagei..
Minha querida Maria, que bom é ler-te.
Beijocas "Augustas"
jorge Mendes
Jorge.. Prometo tentar junto da minha mãe saber a receita.. contudo sei que ninguém conseguia dar o "toque" da minha Bivó Zézinha...
ResponderEliminarVou tentar.. :)
Obrigada pela tua visita.. adorei...
Beijinhos "Augustos"
Maria