Nas palavras repouso de solidão embalada
no veludo raiado pela luz que se oculta por
detrás da floresta, onde os pássaros cantam
em agudos timbres de casca de amêndoa
e as serpentes rastejam pelo coberto seco
da folhagem deserta.
A natureza embala-me como o fruto proibido
que me acolhe e de receio me deslumbro
e me enfeito no ar fresco de cores
queimadas pelo vento.
Eternum
Pintura da Doce Luana
Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida
Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"


Por vezes, só assim, sinto-me em casa...
ResponderEliminarPara ti:
ResponderEliminarhttp://www.photosight.ru/photos/3503079/
:)