Image by Vernon Trent
Um dia, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.
O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nosso membros lassos
A leve rapidez dos animais.
Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.
Sophia de Mello Breyner

A Sophia é divina. Fonte feita mar.
ResponderEliminarJá devo ter-te deixado isto, já deves conhecer, mas nunca é demais de se "ouvir", como não são os silêncios das músicas das ondas:
"Escuto mas não sei
Se o que oiço é silêncio
Ou deus."
[...]
Sophia de Mello Breyner
Mas aqui te deixo algo que me faz sempre lembrar do teu "Silêncios": passagens de Jerusalém, do Mia Couto, que estou a ler no momento. Estas passagens ficam para ti:
"[...] um talento para apurar silêncios.
Escrevo bem, silêncios, no plural.
Sim, porque não há um único silêncio.
E todo o silêncio é música em estado de gravidez."
...
Quando me viam, parado e recatado, no meu invisível recanto, eu não estava pasmado. Estava desempenhado, de alma e corpo ocupados: tecia os delicados fios com que se fabrica a quietude. Eu era um afinador de silêncios.
- Venha, meu filho, venha ajudar-me a ficar calado.
[...]
- Este é o silêncio mais bonito que escutei até hoje. Lhe agradeço, Mwanito.
(Mia Couto, in Jerusalém)
Um beijo, e muito carinho.
Lindo Katy.. Palavras profundas plenas de sensibilidade.
ResponderEliminarObrigada pelos tesouros que me envias
Olha.. já viste a minha foto quando eu tinha 24 anos a brincar com o meu cão na relva?? Em cima do lado direito...
Beijinhos grandes com muito carinho