Não busque no meu corpo a carne, a chama.
Nem veja no meu rosto uma consagração qualquer.
Eu sei que sou um anjo à-toa neste mundo.
Um tiro certo, um poço fundo,
um precipício aberto, uma mulher.
O que é que eu faço dessa sensação estranha,
que me persegue e me apanha,
e me vira pelo avesso,
que não tem fim nem começo
e me faz o que bem quer?
O que é que eu faço dessa sensação perdida,
desvairada, enlouquecida,
displicente, amargurada,
se o meu sorriso anda tão comprometido
e se a gente passa e pensa,
sem recompensa, sem nada?
Eu quero ser seu anjo,
à-toa e vagabundo,
seu mistério o mais profundo
e você vem quando quiser.
Se você quer morrer de amor,
morrer de vício,
eu quero ser seu precipício,
seu amor, sua mulher.
Poema: Kátia Drummond
Sabes, a Katia Drummond foi o maior "presente poético" que tive nos últimos tempos. Ela é o tipo de poetisa que mais admiro: faz da literatura voz de muitos...
ResponderEliminarBrasileira, baiana, descendente do Castro Alves, mora atualmente em Portugal. E é um encanto de pessoa no partilhar palavras.
Tenho tido a honra de ter a presença dele em alguns posts, e se quiseres, visita os sites dela que exponho lá no meu cantinho.
Sei que vais apreciar.
E esta imagem...
Como me encantei por ela!!!
Beijos.
Katyuscia.
Tambem conhecia muito pouco a poesia de Katia Drummond, mas tenho lido ultimamente alguns poemas e tenho gostado imenso. Curioso ser da familia de Castro Alves que tanto aprecio.
ResponderEliminarÉ claro que visito o teu blog frequentemente. É um espaço fascinante e onde me sinto muito bem.
Obrigada Katy... Beijos ternos para ti e Pássaro.
Maria