domingo, 4 de outubro de 2009

"ANJO À -TOA"




Não busque no meu corpo a carne, a chama.

Nem veja no meu rosto uma consagração qualquer.

Eu sei que sou um anjo à-toa neste mundo.

Um tiro certo, um poço fundo,

um precipício aberto, uma mulher.

O que é que eu faço dessa sensação estranha,

que me persegue e me apanha,

e me vira pelo avesso,

que não tem fim nem começo

e me faz o que bem quer?

O que é que eu faço dessa sensação perdida,

desvairada, enlouquecida,

displicente, amargurada,

se o meu sorriso anda tão comprometido

e se a gente passa e pensa,

sem recompensa, sem nada?

Eu quero ser seu anjo,

à-toa e vagabundo,

seu mistério o mais profundo

e você vem quando quiser.

Se você quer morrer de amor,

morrer de vício,

eu quero ser seu precipício,

seu amor, sua mulher.






Poema: Kátia Drummond

2 comentários:

  1. Sabes, a Katia Drummond foi o maior "presente poético" que tive nos últimos tempos. Ela é o tipo de poetisa que mais admiro: faz da literatura voz de muitos...

    Brasileira, baiana, descendente do Castro Alves, mora atualmente em Portugal. E é um encanto de pessoa no partilhar palavras.

    Tenho tido a honra de ter a presença dele em alguns posts, e se quiseres, visita os sites dela que exponho lá no meu cantinho.
    Sei que vais apreciar.

    E esta imagem...
    Como me encantei por ela!!!

    Beijos.

    Katyuscia.

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  2. Tambem conhecia muito pouco a poesia de Katia Drummond, mas tenho lido ultimamente alguns poemas e tenho gostado imenso. Curioso ser da familia de Castro Alves que tanto aprecio.

    É claro que visito o teu blog frequentemente. É um espaço fascinante e onde me sinto muito bem.

    Obrigada Katy... Beijos ternos para ti e Pássaro.
    Maria

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