Um local privilegiado para a difusão e o estudo
das relações históricas, culturais e artísticas entre
Portugal e os países do Oriente.
O edifício dos Armazéns Frigoríficos em Alcântara,
que até há 15 anos serviu como armazém de bacalhau
do Porto de Lisboa foi requalificado pelos arquitectos
José Luís Carrilho da Graça e Rui Francisco e recebeu
enquadramento paisagístico de Gonçalo Ribeiro Telles.
Nas suas novas funções, e em seis pisos de superfície
mais cave, cabem dois andares de áreas expositivas,
reservas, um auditório para espectáculos e cinema
com capacidade para 360 pessoas e um restaurante
panorâmico com vista para o Tejo.
O Museu acolhe o acervo de arte da Fundação do
Oriente e a colecção particular de um dos maiores
sinólogos franceses, Jacques Pimpaneau,
composta por milhares de peças de arte popular
de diferentes países asiáticos.
Conceber um Museu é uma oportunidade única
para confrontar o carácter substantivo do espaço
com a intangibilidade da cultura e do conhecimento.
Para a dar a “conhecer”, o arquitecto ordena o
espaço, organiza percursos, orienta a luz, exibe
conteúdos e assegura a sua protecção e conservação.
A possibilidade de conceber o novo Museu do Oriente
constituiu um privilégio e um desafio irrecusável.
O objectivo consistia em albergar uma valiosa
colecção privada centrada numa temática comum,
o Oriente, nas suas vertentes histórica, social,
etnológica, antropológica, arqueológica e artística,
no Edifício Pedro Álvares Cabral, uma cuidada
construção portuária do início dos anos quarenta,
da autoria do arquitecto João Simões Antunes.
Com o objectivo de conciliar a identidade
arquitectónica do edifício com o novo uso
museológico, procurou-se reesclarecer a
estrutura organizativa deste. Nesse sentido,
assumiu particular importância a redefinição
dos acessos verticais, dos circuitos de
público e funcionários e a distribuição
funcional por piso." Autor do projecto de arquitectura:
João Luís Carrilho da Graça e Rui Francisco
O Museu do Oriente define-se como uma unidade
museológica permanente, aberta ao público,
tutelada pela Fundação Oriente, tendo por missão
a valorização dos testemunhos quer da presença
portuguesa na Ásia quer das distintas culturas asiáticas.
A colecção de arte alusiva à presença portuguesa na Ásia,
é constituída por mais de um milhar de objectos artísticos
e documentais, fruto de uma política de aquisições levada a cabo
pela Fundação Oriente, praticamente desde sua constituição,
junto dos mercados de arte nacional e internacional.
Integra várias peças de excepcional valor, com destaque para
diversos biombos chineses e japones dos séculos XVII e XVIII,
várias peças de arte namban de grande raridade,
uma colecção de peças de porcelana brasonada da
Companhia das Índias ou um significativo acervo
relacionado com as culturas dos povos de Timor.
Existe, como em diversos outros museus, para mais
numa fase inicial de constituição, uma diferente
representatividade por áreas geográficas: a título de
exemplo, podemos afirmar que os sectores relativos
à China ao Japão ou a Timor são muito representativos.
A colecção foi enriquecida com o recurso a depósitos
de peças pontuais ou mesmo de colecções de outras entidades,
públicas ou privadas, como aconteceu com as importantes
colecções do poeta Camilo Pessanha (arte chinesa)
ou do escritor e político Manuel Teixeira Gomes (artes decorativas da China e do Japão).
Trata-se de um museu de âmbito territorial
internacional e de carácter transdisciplinar,
que procura, através do cruzamento de
pontos de vista emergentes dos campos
temáticos da História, da Artee da
Antropologia, proporcionar aos
Portugueses e aos que nos visitam uma
memória viva e actuante das culturas
asiáticase da relação secular que foi
estabelecida entre o Oriente o Ocidente,
principalmente através de Portugal.
A esses campos temáticos corresponde
um diversificado património cultural de
interesse histórico, artístico, documental,
etnográfico e antropológico relacionado
tanto com a cultura popular e as religiões
orientais como com os mais variados aspectos
presença portuguesa na Ásia ao longo de cinco
séculos. Além das exposições, o museu possui
uma programação cultural com música, dança,
conferências e actividades lúdicas e pedagógicas
a cargo do Serviço Educativo. Está aberto a
escolas, existindo inúmeras actividades
pedagógicas e ateliers durante os períodos
de férias, assim com visitas de estudo durante todo o ano.
Fonte : Museu do Oriente
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