Mari Boine nasceu a 8 de Novembro de 1956 no Norte da
Noruega, no país dos Samis, muitas vezes designado por
Lapónia.
A região onde o povo Sami ainda subsiste estende-se pela
costa noroeste da Noruega, pelo Norte da Suécia e da
Finlândia e ainda pela península Cola, no Noroeste da
Rússia, na fronteira com a Finlândia e a Suécia.
Ocupando há mais de 2500 anos o Norte da
Escandinávia, os Samis são considerados
autóctones dessa região. Actualmente, cerca de 10%
ainda se dedicam à pastorícia das renas. Nas primeiras
décadas do século xx a Noruega tentou eliminar a cultura
Sami. Mari Boine cresceu numa pequena vila, a 16 Km de
Karasjov. Teve os seus primeiros contactos com a música
através dos hinos religiosos da Igreja Laestadiana.
O Laestadianismo foi iniciado pelo pastor luterano Lars
Levi Laestadius, que serviu no Norte da Suécia entre 1825
e 1861. Influenciado por uma mulher, membro de um grupo
religiosos conhecido pelos “Leitores”,Laestadius fundou em 1840 um
movimento religioso revivalista, que propunha uma renovação espiritual
do Luteranismo e se expandiu muito para além da Escandinávia, designadamente
para os EUA através de emigrantes finlandeses. O Laestadianismo
implantou-se fortemente na população Sami.
Para além dessa influência cristã, a sua música tem igualmente contactos
com as joik, canções tradicionais dos Samis, anteriores à sua evangelização,
normalmente interpretadas à capela, ou seja, sem acompanhamento musical,
com palavras ou só com sons vocais, que procuravam transmitir a essência de
uma pessoa, de uma vida, de uma realidade, de um fenómeno. Os primeiros
missionários cristãos chamavam-lhes “canções do diabo”.
Apesar destas influências, o que Mari Boine compõe não é, porém, música
tradicional sami. As raízes tradicionais são combinadas com muitas outras
influências de formas musicais contemporâneas, como o jazz, o rock, músicas
de outras culturas.
Mari começou a cantar como terapia, não tendo consciência de que a sua
voz tivesse alguma coisa de especial e estando muito pouco à vontade quando
se apresentava em público. Não pensava vir a ser artista. A primeira letra de
música que escreveu, baseada no tema de John Lennon Working Classe Hero,
escreveu-a na sua língua nativa sami. Só aprendeu a história e a língua do
seu povo numa Escola para professores. “No ensino elementar fui ensinada
a odiar o que sou”, disse ela. “Tinha vergonha da minha língua e da minha
cultura. Incutiam-nos a ideia de que éramos de alguma maneira inferiores”.
O seu primeiro passo como profissional foi entrar num concurso de canções.
Não se especificava qual a língua a utilizar, mas o concurso, que se realizava no
norte, onde os Samis são maioritários, tinha sido sempre ganho por artistas
que cantavam em norueguês. Mas Mari decidiu cantar em sami. Só no terceiro
ano ganhou o concurso. Passou a ser muito conhecida no
Norte da Noruega e apareceu na televisão nacional. Uma peça de teatro
baseada nas suas canções foi um êxito em Oslo. O seu sucesso na Noruega
levou-a a digressões pela Alemanha. No seu primeiro álbum, editado
em 1986, um LP em vinil, Depois do Silêncio, cantava a solo baladas e canções
pop-rock. Após ter participado no festival WOMAD, gravou o CD Gula Gula
(Escuta, escuta), em 1989. A Terra como mãe, o respeito pela natureza, a relação
entre os homens e a natureza, conceitos essenciais para o seu povo, são temas
das canções deste álbum. Peter Gabriel decidiu distribuir o disco através da sua
companhia Real World Records. Muito bem recebido pela crítica internacional,
constou da lista de discos mais vendidos em diversos países. Marcou o início da
carreira internacional de Boine. Depois desse disco, muitas pessoas
passaram a considerá-la porta-voz do vo Sami e das suas causas. Mari recusa
sa a ideia. “Não posso representar um povo inteiro. Mas posso contar a minha
história enquanto Sami e, dessa forma, contar parte da história do povo Sami.
Nas minhas canções posso descrever a dor da opressão, a luta para recuperar
o amor-próprio, mas também a alegria de crescer numa cultura que tem uma
ligação tão estreita com a natureza. Não fui sempre politicamente activa. O meu
empenhamento veio com a música”. O terceiro álbum, Goaskinviellja (Irmã
águia) saiu na Noruega em Abril de 1993 e foi entusiasticamente recebido pela
crítica do seu país. O principal diário da Noruega escreveu: “Admirável e belo…
A música étnica tem uma larga audiência fora da Noruega. O leitor deve saber
que talvez a mais interessante artista neste género de música é originária do
povo Sami e vive na Noruega!”. O disco foi premiado na Noruega em Fevereiro
de 1994.Com a edição do seu quarto álbum, Lehkastian (Desabrochando) Mari Boine
deu um grande passo em frente nas suas gravações. Ao mesmo tempo era
o desenvolvimento natural dos seus concertos ao vivo. “Sou uma artista
que gosta do concerto, do que acontece entre o público e nós, que estamos no
palco. Não é possível reproduzir isso num disco, tem que se experimentar ao
vivo. Julgo que as pessoas podem sentir alguma coisa… estão juntas. Há uma
por um dos mais importantes festivais da Noruega, Vossa Jazz, e estreada
em Março de 1994. O Cd foi distribuído na Europa pela Verve World em 1995.
Depois desse gravou ainda mais seis álbuns. O mais recente, Idjagiedas e
colaborou com vários artistas, como Peter Gabriel ou Jan Garbarek.
Compôs música para teatro e cinema,recebeu numerosos prémios, distinções
e bolsas. Apresentou-se por toda a Europa, sempre com grande êxito
junto do público e da crítica. O encontro com Mari e a sua música
não nos deixa indiferentes. Desde que permitamos que ela se aproxime de nós.
A sua música é simples. É no encontro entre as canções, a sua voz, os músicos
da banda, a interacção como ouvinte,que ganha a sua força.
Texto elaborado a partir de várias
fontes, desde a biografia enviada
pelo agente da artista a vários sites
na internet, a saber:
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