quinta-feira, 8 de outubro de 2009

ROSA BRANCA




Não me inquieta se o caminho que me coube
- por secreto desígnio - jamais floresce.
Dentro de mim, sei que existe,
oculta, uma rosa branca.
Incólume rosa. E branca.


Não pude colhê-la: mal
nascera e logo perdi-me
nos labirintos do tempo,
onde desde então pervago
apenas entressonhando
aquilo que sou - e vive
no recôncavo da rosa.


Sem conhecer-me, padeço
o mistério de existir
em amargo desencontro
comigo mesmo. No entanto,
pesar tão largo se apaga
quando pressinto: na rosa,
mistério não há. Nenhum.


Sem medo de trair-me a face,
posso morrer amanhã.
Extinto o jugo do tempo,
olhos nem boca haverá
- para a queixa e para a lágrima -
se em vez de rosa, de pétala
cinza de pétala, apenas
existir a escuridão.
O vazio. Nada mais.






Thiago de Mello






4 comentários:

  1. ai essa musica... eu não digo? tanta coisa para dividir adoro essa gente menina, jarrett GarbareK duas paixões minhas

    Huuummm .. quem diria ? ih hihiii..

    beijos de anil

    (engraçado encontrarmo-nos todos do outro lado do oceano)

    t3 abraço t3 DESCOBRI !!!

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  2. Já percebeste como cheguei até ti....
    Adoro Jarrett.. o Concerto de Colónia em vinil está bem guardado.. como um tesouro. Quando foi editado era eu miúda.. e já naquele tempo me apaixonei por esta música que faz parte da minha vida...
    abraço Eternum...

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  3. Fico sempre emocionada quando vejo postagens com o Thiago...

    Para minha amiga que tem sempre rosas entre os dedos, e com as quais escreve e colhe palavras, dedico, deste mesmo poeta amazonense que é uma grande lição humana, este poema:

    Na fogueira do que faço
    por amor me queimo inteiro.
    Mas simultâneo renasço
    para ser barro do sonho
    e artesão do que serei.
    Do tempo que me devora
    me nasce a fome de ser.
    Minha força vem da frágil
    flor ferida que se entreabre
    resgatada pelo orvalho
    da vida que já vivi.
    Qual a flama que darei
    para acender o caminho
    da criança que vai chegar?
    Não sei. Mas sei que já dança,
    canção de luz e sombra
    na memória da esperança.

    [Thiago de Mello]

    Um abraço em branca flor, Maria.

    Katyuscia.

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  4. Deitada sobre esta folhagem outonal encontro a flor branca que sempre me traz a cor e o aroma de tanta sensibilidade.

    E com a força que teima em ultrapassar o silêncio e o sonho perdido entre as palavras do poeta... me curvo.. perante tanta beleza...

    Beijos e um terno abraço
    Maria

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